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Não olhe para cima e a commoditização de dados

 

Por Rosângela Trolles

29 de dezembro de 2021

Interessante esse filme de Adam Mckay com orçamento de 75 milhões de dólares lançado em dezembro pela Netflix. Uma sátira do Capitalismo norte-americano e também vigente em vários países.

Nos laboratórios científicos, dois astrônomos descobrem que um cometa de nove quilômetros de largura vai colidir com a Terra em seis meses. Ganham apoio de um cientista negro da NASA, mas ao procurar o governo se deparam com uma Casa Branca cheia de falcatruas e vaidades. A presidente, a sempre ótima Meryl Streep, pouco se importa com a informação, sempre adulada por uma equipe incompetente que até a chama de mãe. Com a insistência sobre a catástrofe acaba fazendo contato com um possível patrocinador da ação de defesa.

O super rico dono de empresa de celulares e de dados se lança como predominante exibindo total manipulação da vida de seus usuários com algoritmo que calcula com milhões de dados a vida de cada um desde 1994, sendo que todos agrupados em oito tipo de consumidores. Ele porém, tem outra visão da crise: resolve explorar minérios (ítrio, térbio, ósmio, disprósio, grupo das terras raras) do cometa. Oferece então tecnologia de dezenas de foguetes e drones em fissão quântica para destroçar o cometa Dibiasky em 30 meteoros exploráveis pela empresa BASH, arrecadando assim com o material da pedra. O empresário, inclusive, não gosta de ser visto assim. Ele diz que o que ele faz é “evolução” interplanetária, interestelar, intergaláctica para a raça humana.

Vários cientistas se demitem por discordar da missão. A imprensa é totalmente venal e a população completamente periférica, sem voz. A única que tem voz é a super estrela Ariana Grande cantando para uma multidão de pessoas. Os astrônomos saem em busca de esclarecimentos e acabam numa fuga desabalada, tentando salvar a própria pele.

A NASA parece uma grande estrutura para nada e o frívolo super rico se mostra completamente impotente quando vê que sua tecnologia não funcionou. A presidente resolve sair de fininho e oferece lugar para sua equipe em cápsulas de criogênio numa fuga do planeta.

Ao final, não tem solução: a morte virá por ampla falta de política e estrutura de poder para lidar com a ameaça do espaço. O curioso é que a presidente faz menção a Bill Clinton, que aparece a beijando numa fotografia como se ela fosse a Hilary e remete aos anos de 1990, o que nos leva a pensar que o problema é bastante antigo. Pepino que vem estourar agora nas mãos de Joe Biden, ex-vice de Obama.

Após a colisão e o fim do mundo as cápsulas chegam a outro planeta. 47 morreram na travessia. Me lembrei de um filminho de 2015 produzido por Steven Spielberg, Projeto 47, um projeto que não deu certo e faz com o número, referência a um bug de computadores. No novo planeta a equipe restante parece deslumbrada, fazendo planos, quando seres vorazes avançam e um Bronteroc come a presidente.

Sim, o filme é legal. Não é uma produção cultural que aponte e demonstre um caminho. É o famoso filão filme-catástrofe cheio de clichês. Esses que os americanos adoram e assistem se enchendo de hamburguer do McDonald e Coca-Cola diet. Ele, no entanto, faz uma crítica a crise de poder e mostra que o mercado e o comércio não são a solução para problemas estruturais.

Mas qual seria o caminho para o poder na era da máxima globalização uma vez que o mercado não tem ética? O problema da economia liberal e de mercado é a maximização dos lucros e não somente o atendimento das necessidades sociais de um país. Mas a economia de mercado obedece à lei da oferta e da procura. Então, com uma população esclarecida e educada podemos ter um mercado saudável. O que é uma commodity ou mercadoria tem que ser entendido pelo conhecimento e não ultrapassar o setor de matérias primas ou produtos de origem primária. Daí poderemos ver outros setores, como o cultural por exemplo, de modo mais livre.



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